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Mistérios Misteriosos

Posted by Elton on Apr 29, '07 1:08 AM for everyone
Aviso que estou abandonando o Multiply e passando bem pra cá.

Posted by Elton on Mar 20, '07 10:45 PM for everyone


Posted by Elton on Mar 18, '07 3:06 PM for everyone
Já faz algum tempo que li Desumano - livro da Olivia Maia - e só hoje resolvi comentá-lo. Não sei se sou bom em comentar qualquer coisa porque, isto é bem verdade, com suas raras exceções, ningúem comenta o que eu escrevo, e não sou narcisista a ponto de ficar me auto-elogiando com oh, nossa, que comentário divino. Não, só quero comentar o que li como todo mundo hoje faz por aí, certo?

Pois saiba que Desumano é um livro policial e ele se comporta exatamente como um, assim, devo dizer, não transita entre dois mundinhos. A diferença é que ( tem na capa do livro) não há troca de tiros ou esquemas de corrupção entre investigadores e criminosos etc, etc.
O enredo tem início com um rapaz chamado Márcio que recupera a consciência e se vê na sala de sua casa, ajoelhado no tapete todo melado de sangue, e sua mãe bem ali, deitada, com o pescoço cortado e o maxilar estraçalhado. Isso foi suficiente para prender minha atenção que, somado à narrativa rápida da Olivia, permitiu que eu terminasse de ler tudo em poucas horas.

Meu grande problema foi com esse tal de Márcio. Nossa, ele é chato demais, do tipo que, se você inicia uma conversa, o cara fica calado ou então te olha com desdém ou te dá uma resposta que ele julga ser a melhor. Na verdade, Márcio é um filhinho-de-papai que nunca saiu debaixo das asinhas da mãe; e é metido. " E me lembrei do Brás Cubas durante seu delírio". Esse foi o pensamento dele no ponto de ônibus depois de enfiar as unhas no braço para se certificar de que não estava dormindo. Tudo bem, as unhas são dele, o braço é dele, mas lembrar do Brás Cubas e do seu delírio é demais. Sem contar a parte em que, cansado de bloquear o caminho das formigas na parede e matá-las com a ponta dos dedos, diz: ''A lei do mais forte...''. Márcio merece um coc no crânio por não ter dito logo: ''Ao vencedor, as batatas''.

O protagonista também tem a mania psicopata de olhar as pessoas e imaginá-las morrendo, assim, só por diversão. A insistência nesse tipo de raciocínio deixa o final do livro um pouco previsível. Mas ok, é o jeitão dele de ser. Só acho que Olivia exagerou nas sensações ''marcianas'' passageiras acompanhadas sempre de um '' mas sabia que logo aquilo passaria'', a ponto de eu sempre saber que, quando Márcio se sentia diferente, aquilo não duraria mais do que alguns segundos e ele, de sobra, ainda diria, '' mas sabia que logo aquilo passaria''.
E por causa dele, o livro deu uma acelerada desnecessária, como se a própria Olivia já estivesse achando o carinha repugnante, porque, tornando-se previsível, Márcio não abria possibilidade de mais investigações. E também, Desumano, não sei, talvez a Olivia possa responder depois, foi imaginado primeiro como um conto para só depois ser pensado como um livro e, lógico, essa transição pode tomar rumos perigosos.

O importante é que ela fez tudo direitinho e, para uma estréia, o trabalho ficou ótimo. Afinal, não é qualquer um hoje que publica um livro numa editora como a Brasiliense e com tão pouca idade, 22 anos.

Enfim, acabei gostando do livro. Leia qualquer dia e , ah, não se esqueça de visitar o blog dela. É legal e tal. Na verdade, ela mesma é deveras legal. ''Deveras'', háhá.

Posted by Elton on Mar 17, '07 12:28 AM for everyone
Não é tão recente assim, mas o Biajoni fez um site que trata somente do seu famoso livro Sexo Anal. Ainda não leu? Vá e faça o download! Ou ainda se assusta com nomes baixos?

Posted by Elton on Mar 16, '07 12:24 AM for everyone
Quem me conhece sabe que, em aulas chatas de professores chatos , normalmente não me resta outra saída senão a de abaixar a cabeça ou, como venho demonstrando nos últimos dias,  matar o tempo com meu Caça-palavras nível fácil. O fato é que hoje eu não consegui chegar nem perto disso. Atrapalharam tudo!
Lógico! Não dá pra encontrar a palavra TUPINIQUIM enquanto a pitizeira revolucionária do 8º período discursa sobre o estado deplorável do centro de ciências da universidade. Não dá! Parece que é de propósito. E muito menos quando, junto a ela, a garota mais socialista do pedaço fala desesperadamente sobre a falta de medidas enérgicas da nova diretoria do curso. Ninguém entende que eu não nasci pra queimar pneus, ora.
Ainda assim, a despeito de toda a agitação, minha busca tupiniquim continuou firme . Isso até minha professora de parasitologia soltar o verbo. '' Eu acho que as lâmpadas não são muito caro ''. Juro que foi involuntário, mas meus ouvidos afiados passaram a perseguir com todas as forças a voz dela. '' Os parasito estavam presentes...''. Estes dias prometem!

Posted by Elton on Mar 11, '07 9:03 PM for everyone
Não é da minha conta, mas pelo amor de Deus, por que você ainda usa o Internet Explorer, posso saber? Já sei que todos os seus melhores amigos fazem o mesmo, que sua mãe ainda usa a versão 5.5 e que você, mesmo franzindo o sobrolho, nem sabe que existem outros navegadores além do IE ( talvez nem saiba o que é um navegador), mas por que não muda? Será que todas aquelas vezes em que trezentos pop-ups de pintos, bundas e afins travaram seu computador não foram suficientes? Não percebeu ainda que a versão 7.0 não passa de uma morsa cinzenta-azulada muito da maquiada? Ou que se você quer visitar seu e-mail, acessar seu orkut e ler as últimas notícias do mundo, tudo ao mesmo tempo, precisa abrir centenas de janelas inúteis? Ah, você ainda tem solução. Tente o Firefox! Não conhece? Pois já tem site que explica tudo direitinho.

Mas ok. Se nada disso interessa, leia o texto do Alexandre Soares:


“A Internet é o fim da profissão de jornalista. Ou pelo menos da dignidade dela. O mais digno, barrigudo e pomposo jornalista corre o risco de ser xingado por um molequinho em Mogi das Cruzes. Ou de ser contestado num detalhe qualquer por um sujeito vagamente desequilibrado que mora entre pilhas de jornais velhos no Baixo Leblon. Não importa se o texto estava liricamente, solenemente, melancolicamente, maravilhosamente escrito. O sujeito do Baixo Leblon coloca logo abaixo do texto: “Adolpho Bloch nunca disse isso, e posso provar” – seguido de nove parágrafos com citações, inclusive, do próprio Adolpho Bloch dizendo que nunca disse isso. Logo abaixo, uma mensagem do molequinho de Mogi das Cruzes: “Hua hua hua hua! O cara mentiu malandro! Se liga mané!!!!!!! Valeeeeeeuuuuuuu!!!!”

e a piada da Nibelunga:

''tinha um turista no balcao de um bar em budapeste sei lá onde e ele tava tomando uisque e de repente surgiu um macaco correndo e molhou as bolas no uisque dele
ele ficou estarrecido claro mas o macaco veio correndo de novo e molhou de novo o saco no uisque dele
o turista ficou puto e viu um cigano tocando violino e cantando ele foi até o cigano e perguntou
'vc conhece esse macaco q molha o saco no meu uisque?'
o cigano começou a cantar 'esse macaco q molha o saco no meu uisque lá lá lá''

Brincadeira. O texto é melhor.

Posted by Elton on Mar 7, '07 10:49 PM for everyone
O Multiply é legal e tal, mas já enjoei dele. Quero fazer um blog novo de fundo branco e fonte preta, leve e sem muitas frescurinhas Web 2.0. Há pessoas que fazem isso em dois tempos. Eu sou burro, então preciso de paciência e estudo.
Talvez eu mude o nome também, o atual tá muito peixe-boi. Então vou precisar de sugestões.

~

Ontem finalmente criei coragem e peguei uns filmes na locadora. Pra ser mais exato, três: ''Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças'', ''Carros'' e ''Moça com Brinco de Pérola''. O primeiro foi por indicação de uma amiga de gostos parecidos com os meus. Não que eu seja um louco por histórias de amor, mas gosto de enredos fantásticos. O filme dos carros falantes também me agradou, principalmente aquele guincho Chevy Wrecker 1955 caipira e o ka-chow desenfreado do Mcqueen. Moça com Brinco de Pérola me ajudou a conhecer um pouco mais a vida de Vermeer. Além disso, a Scarlett Johansson tá muito igual à mulher do quadro.


Posted by Elton on Mar 4, '07 12:18 PM for everyone
Pois eu estava na sala quando ouvi o trecho de música: ''Como vou deixar você se eu te amo?...'' . Era a voz indefectível do vocalista língua-presa do Raça Negra. A versão mais ridícula de ''Como?'' , composição de Luís Vagner e imortalizada na voz de Paulo Diniz, que eu escutara até então.
Então levantei-me do sofá, procurei o disco do Diniz e passei o dia escutando ''Pingos de Amor'', ''I Wanto to go back to Bahia'' e ''Um Chopp pra distrair'', mesmo não bebendo. Sem falar do poema de Carlos Drummond de Andrade: só sei falar da valsa vienense e da teogonia de José por causa do Diniz. Et quid nunc, Ioseph?

Posted by Elton on Mar 4, '07 10:47 AM for everyone
No ano passado, soube que o vestibular teria como uma das obras indicadas o Livro das Ignorãças, do Manoel de Barros, cuja capa de papel pólen bold traz todos os epítetos possíveis para o autor: o ''Guimarães Rosa da poesia'', ''o grande poeta das pequenas coisas'', ''o lírico da ecologia'', ''o poeta do Pantanal'', etc, etc.
Pois eu li o livro e encontrei isto:

Não oblitero moscas com palavras.

Se palavras obliteram moscas, ou seja, se a mosca do dicionário oblitera a mosca-ser-vivo assim como h-o-m-e-m restringe o Homem ou o mar transforma-se em coisa geográfica e a curva do rio vira enseada, se a imagem se perde, se o conceito restringe, digam-me por que diabos esse livro foi indicado já que todos pensam reto e ,de forma bem reta, terão de marcar uma das cinco alternativas medíocres da prova? Ah, que gente besta.

Posted by Elton on Feb 25, '07 1:21 PM for everyone
Como todo e qualquer ser de minha idade (19 anos, oh), sim, eu já joguei vídeo-game. Mas não pensem que vou discorrer exaustivamente sobre um ou outro console, jogo ou cagada. Só quero lembrar aquelas antigas trilhas sonoras fantásticas que superam qualquer uma mais atual. E nada melhor que bandas especialistas no assunto para tal. Aí vai:

Minibosses: sem dúvida, a melhor. Os caras são famosos por versões empolgantes de Mega Man, Castlevania e Metroid. Porque, claro, ninguém supera o Super Nintendo quando o assunto é música boa. O site oficial aqui e alguns downloads de músicas bem aqui. O bom mesmo é pegar tudo por p2p.

Neskimos: é tão boa quanto a outra. Tem ótimas versões de Mega Man, Contra, Castlevania e tal. O site oficial aqui e downloads de músicas here.

Metroid Metal: bom, trabalha com versões num estilo bem heavy metal da série Metroid. Isso significa que você encontra versões de Metroid (NES), Super Metroid ( Super Nes) e Metroid Prime ( Game Cube). Site oficial aqui.

Megadriver: Banda brasileira também com um estilo heavy metal de ser. Só gosto dela porque tem uma versão lá de Top Gear. E Top Gear é tão massa. Site oficial aqui.


Posted by Elton on Feb 18, '07 6:32 PM for everyone
Encontrei uma versão resumida do questionário de Proust no blog do Milton. Só pra não dizerem que nunca respondi, taí:

Qual é o defeito que você mais deplora nas outras pessoas?

Fingir a perfeição.

Como gostaria de morrer?

Bem velho, dormindo e , de preferência , achando que vou acordar no dia seguinte.

Qual é seu estado mental mais comum?

Nos últimos tempos, aquele do apaixonado.

Qual é o seu personagem de ficção preferido?

Julien Sorel. Invejo a memória demoníaca dele.

Qual é ou foi sua maior extravagância?

Dançar Cacuriá.

Qual é a pessoa viva que mais despreza?

É uma pergunta difícil, mas costumo desprezar com todas as forças aquelas pessoas que jogam lixo pela janela do ônibus.

Qual é a pessoa viva que mais admira?

Eu mesmo, ora.

Se depois de morto tivesse de voltar, em que pessoa ou coisa retornaria?

Vento.

Em quais ocasiões costuma mentir?

Quando demoro a responder uma pergunta.

Qual é sua idéia de felicidade perfeita?

Ter a mulher igualmente perfeita.

Qual é seu maior medo?

Tremo quando penso no meu computador queimado.

Qual é seu maior ressentimento?

Ter me comportado como um ridículo em certas ocasiões.

Que talento desejaria ter?

Algum que ninguém tenha.

Qual é seu passatempo favorito?

Ler e conversar com amigos.

Se pudesse, o que mudaria em sua família?

Queria que meu avô gostasse de mim.

Qual é a manifestação mais abjeta de miséria?

Qualquer uma que o homem inicia naqueles momentos em que se acha a última bolacha do pacote.

Onde desejaria viver?

Num lugar com pôr-do-sol eterno. Esse lugar não existe.

Qual a virtude mais exagerada socialmente?

A beleza.

Qual é qualidade que mais admira num ser humano?

Ele pensa.

Quando e onde você foi mais feliz?

Perdi muito tempo pensando numa resposta.



Posted by Elton on Feb 18, '07 1:02 PM for everyone
Poucas pessoas talvez considerem este um fato curioso, mas pintar espelhos num quadro é , no mínimo, criativo. Porque, oras, um quadro sempre foi um espelho, pois tudo que aparece na tela é reflexo da realidade ou da mente de quem cria. Por isso, espelho num quadro é a metalinguagem mais gritante do universo.


Esse é um auto-retrato de Parmigianino feito com auxílio de um espelho convexo. A mão em primeiro plano não é só uma distorção reflexiva, é a própria legenda da obra.







Posted by Elton on Feb 17, '07 9:45 PM for everyone

Não é uma coisa muito comum, mas hoje eu resolvi ver pinturas, pinturas e mais pinturas. Eu gosto de pinturas.

Aí me deparei com os nus. A começar por Boucher e sua Odalisca.


Boucher ficou conhecido como pintor de traseiros. Na época, era tido como um imoral. Acusavam-no de prostituir a própria esposa em suas pinturas. Isso porque, dizia o povo, Boucher costumava desenhar figuras femininas com o rosto de sua mulher, em poses como essa da Odalisca; as bundas, no entanto, eram de qualquer prostituta francesa. Bundas horríveis, diga-se de passagem.

Mas não quero que atentem para a bunda da Odalisca, e sim para o olhar. Percebem?
É um olhar safado, tem riso nele. E o mais importante: ela quase encara quem observa o quadro. Esse ''quase'' transformou muitos pintores em verdadeiros pervertidos. Foi assim em quase todo o Rococó. Tsc.
Mas o movimento seguinte, ah!, esse veio pra moralizar a arte. Conheçam Ingres e sua Banhista.


Ingres nunca foi tachado de imoral, apesar das bundas feias. Mas reparem: a banhista nao quer nada com ninguém. Ela nem olha pra você. Era lindo desenhar uma bunda, desde que a dona dela não olhasse pro espectador. E assim as bundas seguiram soberanas.
Sim, tudo isso parece óbvio, mas Manet não percebeu ou fez-se de desentendido. Então ele pintou isto:

Almoço sobre a relva foi parar no Salão dos Recusados. Manet até escondeu a bunda feia, mas deixou no olhar da moça um desafio, um problema, um convite. Ferrou-se.

Posted by Elton on Feb 16, '07 11:27 PM for everyone
Se analisadas a partir de um ponto de vista filosófico, propagandas de carro podem se tornar muito interessantes. Exemplo é a propaganda do novo Prisma. Primeiro aquela música de fundo. Eu gosto daquela música. Atingiu seu objetivo que é o de me fazer gostar!
Então um cara jovem aparece andando pelas ruas de uma cidade qualquer e se depara com um Marshmallow gigante dos Caça-Fantasmas e o Chucky. Surge o Zorro na sacada! Aparecem os colegas de faculdade, as coelhinhas da playboy! A noiva! O Ultraman! O Scooby e o Fofão! O Papai Noel e o palhaço do circo! Até o Saci! Todos empurrando o pobre do cara. Fazendo gestos de " Vai logo, meu! ". Por fim, ele chega num beco sem saída e encontra o carro. Ah, o carro! " Sua vida trouxe você até aqui". Ora, todos vivem para a realização pessoal, um objetivo qualquer, a felicidade. E lá está o carro em seu caminho. São como anjos tortos gritando " Vai e compra um carro na vida". Compre o carro e seja feliz, simples assim.

Posted by Elton on Feb 15, '07 10:43 PM for everyone
No limite de um dos sítios ecológicos da cidade, você pode ler:

A natureza é nossa, ajude a preservá-la.

ou  melhor:

A natureza é nossa, ajude a preservá-la  (assim).

São esses parênteses que me assustam.

Posted by Elton on Feb 4, '07 5:55 PM for everyone
Sim, só hoje vi o filme do Superman.

Ele matou dois caras! Qual é o problema dos heróis de hoje?

Posted by Elton on Feb 4, '07 5:47 PM for everyone
Apaixonar-se talvez seja um dos estados que mais leva a pessoa ao ridículo. Ridículo para mim ou qualquer outro que observa tudo de fora, a uma certa distância,  mas que parece extremamente belo e útil para os que se encontram apaixonados.
 
O ridículo, naturalmente, ao ler isso agora, traria o semblante sério, ou jogaria aquele sorriso torto no canto da boca, irônico. Mostrar-se-ia indiferente também, porque ironia e indiferença fazem a seriedade dos novos tempos. O não-ridículo, por outro lado, concordaria até mesmo com certa satisfação, resgatando da memória episódios nitidamente engraçados ou vergonhosos.

Eu mesmo quando cursava a oitava série do fundamental, recebi uma carta enorme de uma garota que sentava no começo da fila. A carta, apesar de gigantesca, era simples: continha algumas centenas de 'Eu te amo' do início ao fim. Em outras palavras, uma carta ridícula. Eu ri de imediato, tamanha a falta de criatividade da moça. Ora, mostrei-a a todos os meus amigos e meio-amigos. A carta se encaixava perfeitamente no espaço reservado às piadas de todo dia. Porque, claro, ela havia mentido e, mais do que isso, havia gasto o sentido da expressão. Repetir uma palavra centenas de vezes não a esgota? Funciona da mesma forma com as idéias.

Mas eu também já fui ridículo. E muito ridículo mesmo. Na tentativa de agradar o ser amado ou parecer um tanto que sensível e imitador de filmes baratos, já tentei marcar com as iniciais ' E e J ' uma moeda enorme, imperial. Não consegui mais do que estragar a moeda e perder a paciência. No entanto, é aquilo que se escreve que se apresenta como mais ridículo. Narrar na carta o momento em que a escrevemos, por exemplo. Eu achava tocante descrever todas as agruras do ato. Criar a imagem de um abiente pouco iluminado, ventilado e triste era enternecedor. Mas nós sempre passamos de uma fase a outra, como de um flerte a outro e, inevitavelmente, a coisa se ridiculariza. O medo de parecer ridículo só torna tudo mais ridículo. E foi assim que fiz da última carta que produzi, uma dissertação. Ainda bem que nunca mandei nada do que escrevi.

 Aliás, já mandei, sim.

Num ano passado qualquer, gravei uma mensagem numa sonda espacial através do site da empresa da mesma, que oferecia esse serviço a quem quisesse. Mandei uma mensagem curta, típica daqueles momentos em que você se torna amante da humanidade. A sonda só retornará ao planeta em algum século distante. Tempo mais do que suficiente pra transformar minha mensagem na coisa mais ridícula do universo.

Posted by Elton on Jan 27, '07 2:12 PM for everyone

Para os que gostam:

Overman - O mito ( ou pelo menos acho que seja esse; tem centenas de tiras, é o que importa).

O arquivo está em .cbr . Você vai precisar do CDisplay.

Posted by Elton on Jan 25, '07 10:41 PM for everyone
Puxo a tal cordinha do ônibus e ele não pára. Sei lá como, dou dois tapões numa peça de plástico que fica acima da porta, e grito: '' Ô, motora!''. Todos olham pra mim enquanto o ônibus freia bruscamente.

Eu tinha que ter gritado 'Ô, motora!' ?. Que ridículo...

Note to self: deixar de pensar besteiras e estudar para o vestibular ( pq a prova acontece em março e fevereiro só tem 28 dias)

P.S.: Depois acho um meio de disponibilizar Overman - O Mito aqui. Overman é tão massa.

Posted by Elton on Jan 24, '07 11:12 AM for everyone
''Foi então que Zeus, tocado de comiseração, imaginou outro expediente: colocou os órgãos da geração na frente. Até aí esse órgãos haviam sido colocados na parte posterior, motivo por que os homens não geravam e procriavam entre si, mas faziam-no à maneira das cigarras, na terra¹. ''

¹ Era, então, opinião entre os gregos que as cigarras nasciam da terra, sem ato procriativo.

Adoro notas de rodapé.


e...

'' Sócrates: - A minha pergunta é esta: se o pai é pai de alguém ou não? Ao que, se me quisesses responder corretamente, redarguirias: o pai é pai de um filho ou de uma filha; não é?

Ágaton: - De fato.

Sócrates: - Responde mais ao seguinte, para que fique bem claro o meu pensamento. Que te parece: o irmão? É ou não irmaõ de alguém?

Ágaton: - Claro que é.

Sócrates: - Irmão de uma irmã ou de um irmão, não é?

Ágaton: - É

Sócrates: - Experimenta, pois, agora, responder-me sobre Eros, se é amor de alguma coisa ou não.

Ágaton: - O amor é...

Sócrates: - Basta! ''

odeio o modo socrático de ser.

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